
Durante muito tempo ouvimos que política, direito e cidadania eram assuntos para especialistas. Mas, na prática, são justamente esses temas que determinam a qualidade da nossa vida, das nossas cidades e das oportunidades das próximas gerações.
No episódio de estreia do Protagonismo Mulher, mais um programa do Canal Protagonismo Cidadão, recebemos a advogada Dra. Priscila Felix, que reúne mais de duas décadas de atuação jurídica, a experiência da maternidade e uma forte atuação pública, ficando evidente uma reflexão que merece ser ampliada:
o protagonismo do cidadão começa muito antes de ocupar um cargo público.
Ele começa quando compreendemos que somos corresponsáveis pelo lugar onde vivemos.
Essa conversa trouxe cinco aprendizados que considero fundamentais.
1. O conhecimento protege muito mais do que a punição
Ainda tratamos o Direito como um mecanismo para punir quem errou.
Mas o verdadeiro papel do Direito deveria ser outro: educar.
Quando uma pessoa conhece seus direitos e seus deveres, ela toma decisões melhores, evita conflitos e fortalece uma cultura de respeito.
Educação jurídica também é educação cidadã.
2. Segurança pública também nasce da responsabilidade coletiva
Vivemos uma época em que cada um olha apenas para sua própria rotina.
Mas comunidades fortes são construídas quando existe cuidado mútuo.
Observar, acolher, denunciar situações de vulnerabilidade quando necessário e agir com responsabilidade não é invasão.
É cidadania.
A chamada “vigilância solidária” nos lembra que proteger o outro também é uma forma de proteger a sociedade.
3. A tecnologia aproximou o cidadão do processo legislativo
Muitas pessoas acreditam que criar uma lei é algo distante da realidade.
Não é.
Hoje qualquer cidadão pode apresentar uma Ideia Legislativa e mobilizar apoio popular.
A tecnologia reduziu distâncias.
Agora o desafio é despertar pessoas dispostas a participar.
4. Não basta termos cidades inteligentes. Precisamos de cidades sábias.
Vivemos falando sobre Inteligência Artificial, inovação e Smart Cities.
Mas uma cidade inteligente nem sempre é uma cidade humana.
O conceito de Tecnosofia propõe exatamente essa reflexão:
Tecnologia precisa caminhar junto com sabedoria.
A inovação só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.
Caso contrário, apenas automatizamos problemas antigos.
5. A família não limita o protagonismo feminino. Ela pode fortalecê-lo.
Existe uma narrativa que frequentemente coloca maternidade, carreira e participação social como escolhas incompatíveis.
Na prática, milhares de mulheres mostram diariamente que essas dimensões podem coexistir.
Isso não significa dar conta de tudo sozinha.
Significa reconhecer limites, construir redes de apoio e compreender que pedir ajuda também é uma demonstração de liderança.
O verdadeiro protagonismo começa no cotidiano.
Não precisamos esperar ocupar um cargo público para transformar a sociedade.
Cada atitude consciente fortalece o ambiente em que vivemos.
Uma informação compartilhada. Uma denúncia responsável. Uma proposta apresentada. Uma conversa que gera reflexão.
Como costumo dizer, o protagonismo cidadão não começa nas urnas. Ele começa na consciência.
Porque quando uma mulher amplia sua consciência, ela transforma sua família.
Quando transforma sua família, influencia sua comunidade.
E quando comunidades evoluem, toda a sociedade avança.
E você? Qual pequena atitude pode adotar hoje para construir a cidade em que gostaria de viver?

